sexta-feira, 26 de outubro de 2007

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O processo de decisão racional de Simon

Para Simon a decisão representa o processo pelo qual uma alternativa de comportamento ou estratégia é selecionada e realizada em determinado momento, como a escolha em fabricar sapatos masculinos ao invés de sandálias femininas ou a escolha entre comprar uma casa maior e mais confortável num bairro distante e uma casa menor e menos confortável num bairro mais bem localizado e com futuro promissor. A melhor alternativa é a que objectiva o bairro em que se quer adquirir o imóvel ou tamanho e a estrutura da casa? Quais as conseqüências dessas alternativas? A proposta de Simon baseia-se nas possibilidades de comportamento alternativo e suas conseqüências.

A tarefa de decidir é composta de três etapas:

1) O relacionamento de todas as possíveis estratégias que poderão ser adotadas (a estratégia representa o conjunto de decisões que determinam o comportamento a ser seguido num determinado período de tempo);

2) A determinação de todas as consequencias decorrentes da adoção de cada estratégia;

3) A avaliação comparativa de cada grupo de consequencias e escolha de uma alternativa entre várias disponíveis, a partir de valores pessoais e organizacionais. A escolha indica a preferência por um conjunto de consequencias.

No entanto, Simon alerta que mesmo a palavra “todas”, sendo usada deliberadamente, “é impossível, evidentemente, que o indivíduo conheça todas as alternativas de que dispõe ou todas as suas consequencias. Isto significa que o gestor não terá acesso a todas as informações necessárias e não será possível saber qual a melhor alternativa de comportamento ou estratégia a ser selecionada e implementada, como pressupõe o homem economico. A situação assemelha-se à do alpinista que escolhe uma montanha (o pico do Evereste) como seu objetivo imediato: dos vários caminhos alternativos que lhe possibilitam chegar lá, “ele pode, de facto, percorrer apenas um e nunca saberá se aquele que escolheu é o melhor, embora sob certas condições ele possa ter um palpite razoável”.

Percebe-se que para realizar todas as etapas citadas acima, o indivíduo é limitado na sua racionalidade. Para Simon o comportamento real não alcança a racionalidade objetiva (a melhor escolha), pois o indivíduo é limitado e influenciado, muitas vezes, pela sua capacidade física, pelos seus valores e pela extensão de seus conhecimentos.

Quanto às limitações de conhecimentos, Simon propõe que não é possível ao gestor ter acesso a todas as possibilidades de acção, medindo todas as opcções, tendo em vista a impossibilidade material de obter todas as informações, dados problemas de tempo e custo. O gestor contenta-se em adquirir um número limitado de informações, “um nível satisfatório”, que possibilite a identificação dos problemas e algumas soluções alternativas. “O que o indivíduo faz, na realidade, é formar uma série de expectativas das consequencias futuras, que se baseiam em relações empíricas já conhecidas e sobre informações acerca da situação existente”. Para ilustrar a imperfeição ou ausência de conhecimento, Simon cita o exemplo do corpo de bombeiros de uma cidade:

“A fim de aplicar, com pleno êxito os recursos existentes para resolver o problema de protecção contra incêndios de certa cidade, os membros do corpo de bombeiros necessitariam saber com detalhes as probabilidades de ocorrência de incêndios em cada parte da cidade – em cada edifício, para sermos mais precisos – e o efeito exato que teriam sobre os prejuízos causados pelo fogo”, considerando “determinadas mudanças no processo administrativo, ou na redistribuição das equipas de combate a incêndios”.

Em relação à capacidade do ser humano, mesmo que fosse possível ter acesso a todas as informações de que necessita, ele não seria capaz de interpretar todas as informações disponíveis, tendo em vista a impossibilidade física de relacionar tantos factos na sua mente, tornando improvável a escolha da solução ideal ou a melhor alternativa.

Quanto às limitações relacionadas com os valores e conceitos de finalidades que influenciam a gestão, a lealdade à organização por parte do gestor é fundamental. Se os valores individuais não coincidirem com os valores e finalidades organizacionais, o gestor pode tomar decisões contrárias aos interesses da unidade mais ampla. Pressões afetivas, culturais e jogos de poder influenciam no conteúdo das decisões.

Em resumo, para Simon é impossível o indivíduo conhecer todas as alternativas de que dispõe e suas consequencias. Por isso, a teoria de decisão, deve ser na sua essência, a teoria da racionalidade intencional e limitada do comportamento do ser humano, que contemporiza porque não possui meios para maximizar os resultados. A teoria deve ficar preocupada “com os limites da racionalidade e com a maneira pela qual a organização afecta esses limites no caso do indivíduo que vai decidir”.

No modelo de racionalidade limitada de Simon as decisões são satisfatórias, mas não óptimas. A optimização das decisões é uma ficção, pois elas são limitadas ou influenciadas pelas limitações do ser humano em ter acesso e ao processar cognitivamente todas as opcções, pela impossibilidade de obter todas as informações decorrentes de problemas de custo e tempo e pelas crenças, conflitos e jogos de poder que ocorrem dentro das organizações.

Herbert Simon e o Gestor

Foi Herbert A. Simon o primeiro a caracterizar os processos administrativos como processos decisórios. Na obra “Comportamento Administrativo: estudo dos processos decisórios nas organizações administrativas”, Simon analisa a estrutura da escolha racional humana, ou seja, o modo como o indivíduo decide, para estudar a anatomia (estrutura) e a fisiologia (funcionamento) da organização e descrever o trabalho do gestor.

Na opinião do autor a definição do que é gerir (a arte de conseguir realizar as coisas) faz com que se dê maior ênfase aos métodos e ao que é feito e pouco destaque à escolha que antecede a ação, isto é, “a determinação do que se deve fazer”. Existe a preocupação em descrever orientações que possibilitem uma ação coordenada dos indivíduos para realização de uma tarefa, mas não em elaborar princípios que orientem a escolha que antecede à ação. Para Simon, uma teoria geral da gestão não deve incluir apenas princípios que assegurem uma ação efetiva, mas também, princípios de organização, que assegurem decisões corretas.

Para explicar sua ideia, Simon cita o seguinte exemplo: embora seja o soldado com a metralhadora quem lute no campo de batalha e não seu comandante, este, provavelmente, exercerá mais influência no resultado da luta do que qualquer soldado. A probabilidade que tem o comando de afetar o resultado da batalha depende do grau de influência (como a determinação do objetivo e da posição estratégica do exercito) a que será submetido o soldado.

Analogamente, pode-se citar o exemplo de uma fábrica de eletrodomésticos. Um frigorifico é construído pelos funcionarios na linha de montagem e não pelo gestor da produção, mas este último, provavelmente, exercerá mais influência no bom resultado da produção do que o funcionario. Dessa forma, a proposta de Simon é saber como o gestor pode influenciar os funcionarios a fim de obter um comportamento coordenado, ou seja, como as decisões e comportamento desses funcionarios podem ser determinados pela organização para que eles produzam frigorificos de acordo com o método estabelecido.

Segundo Simon existem dois extremos nas ciências sociais quando o assunto tratado é a racionalidade. Num extremo, o homem economico atribuído pelos economistas, como um ser de consciencia racional. É um ser capaz de ter acesso a todas as informações necessárias à sua decisão, que conhece todas as alternativas de comportamento e suas consequencias e que tem capacidade de escolher a alternativa que maximiza os resultados, e chegar a melhor alternativa.

No outro extremo estão os discípulos de Freud, que tratam de reduzir todo conhecimento à afetividade, o que significa dizer, que as pessoas não são tão racionais como gostariam de ser. Para o autor, o comportamento humano nas organizações é, se não totalmente, pelo menos em boa parte, intencionalmente racional, pois a pessoa procura a melhor solução, mas não a consegue devido às suas limitações ou critérios em que ela baseia a sua escolha. Simon vê “o homem como um actor economico bombardeado por escolhas e decisões, mas possuindo um quantidade limitada de informações e capacidades de processamento”.

Sendo assim, a proposta de Simon não visa substituir a psicologia pela economia como base para formulação de uma teoria organizacional, mas observar a área em que o comportamento humano é intencional (que pode ser moldado aos interesses organizacionais), embora racionalmente limitado, para desenvolver uma autentica teoria da organização e gestão.

Na sua visão, a organização é um sistema de decisão onde a pessoa participa de forma racional e consciente, escolhendo entre alternativas mais ou menos racionais. A racionalidade da decisão (adequação entre meios e fins) torna-se então, a principal preocupação da teoria administrativa, pertencendo ao gestor a tarefa de distribuir e influenciar a função decisória numa determinada organização. O processo de gestão consiste na tarefa de estabelecer os funcionarios e implementar um nível administrativo hierarquico que seja capaz de influenciar as suas decisões, a fim de obter um comportamento coordenado e efetivo.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Testes de QI

De facto nos dias de hoje o que esta na moda são os testes de coeficiente de inteligência (QI).

Este post devia falar um pouco do que é um QI e relatar o resultado que eu obtive num desses testes que existem na net aos montes.

De facto numa primeira fase eu até acabei por realizar não um mas três testes.

Dos três testes que fiz os três deram resultado diferentes, muito diferentes. Este resultado levou-me a ponderar e a repensar o que é para mim um teste de QI, e o intuito que ele serve.

O que eu posso concluir destes resultados:

· Será que sou demasiado racional?

· Será que eu sou um homem das ciências exactas?

· Será que sou muito inteligente?

· Será que não sou inteligente?

· E por fim como explicava o resultado de um dos teste que eu fiz…Será que sei dar sentimento aquilo que faço?

Na minha opinião estes testes apenas fazem sentido, quando são conhecidas todas as componentes do ambiente que nos rodeia, o estado de espírito, o momento de autoconfiança que atravessamos, o nosso passado, as nossas experiências, as nossas vivências, e lá bem no fim o nosso desenvolvimento académico.

Indicadores

Indicadores são unidades de medida que permitem classificar características de determinadas situações da realidade.

Os factos do modelo dimensional constituem os indicadores a serem analisadas pelo negócio. São os indicadores que demonstram o comportamento e evolução da empresa ao longo do tempo.

Dedução

Dedução é uma inferência que parte do universal para o mais particular.

Considera-se que um raciocínio é dedutivo quando, de uma ou mais premissas, se conclui uma proposição que é conclusão lógica da(s) premissa(s). A dedução é um raciocínio de tipo mediato, sendo o silogismo uma das suas formas clássicas.

A indução pode ser reduzida a dedução no corpo da lógica clássica.

Indução

  • Indução em filosofia é considerado o método de pensamento ou raciocínio em que se extrai de certos fatos conhecidos, mediante observação, alguma conclusão geral que não se acha rigorosamente relacionada com eles.
  • Indução pode ser considerada também a inferência conjectural que conclui, da regularidade de certos fatos, a existência de outros fatos ligados aos primeiros na experiência anterior.
  • Indução de Francis Bacon Afirma que o cientista deve observar e descrever fatos empíricos, organizar e transpor em uma linguagem matemática. A partir dai, salta-se das sensações particulares aos axiomas mais gerais e descobre axiomas intermediários, dando-se pouca ênfase à elaboração de hipóteses.

A indução consiste em afirmar acerca de todos, aquilo que foi possível observar em alguns. Ou seja, através de uma amostra definimos uma teoria genérica, incluindo elementos que não faziam parte dessa amostra/estudo. A indução faz a generalização, isto é, cria proposições universais a partir de proposições particulares. É, portanto, uma forma de raciocínio pouco credível e muito mais susceptível de refutação. Esta operação mental foi desenvolvida por Aristóteles.

A indução pode ser completa ou incompleta. Completa – Faz a enumeração de casos particulares, para chegar a uma síntese ou proposição geral. Não faz comparação entre o predicado e o sujeito, fazendo apenas a redução de várias proposições a uma proposição geral. Incompleta – É a passagem de um juízo particular a um juízo universal. Quanto maior o número de experiências, menor é a incerteza. Quando o número de experiências for suficientemente grande, permite-nos formular uma lei, daí a ciência recorrer a este tipo de indução.